quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Je m'apelle...

Ontem, dia 24 de agosto, tive um dia muito agitado. Uma mistura de desconcentração, corpo na horta, excitação, marimbondos, uma hora ao celular, aula de francês, flertes, lua cheia, ônibus demorado, amiga quase terminando o namoro, supermercado às onze da noite, arroz com feijão à meia noite.
Acordei sem conseguir me mexer direito, dado o cansaço.
Meu corpo não aguenta minha mente.
Não tenho corpo que me suporte, literalmente.
Proponho uma velocidade com minha mente que minha materialidade não acompanha.
A coisa que mais tem me chamado a atenção é como o corpo é utilizado de uma outra forma aqui.
Eu, pelo menos, tenho tido uma necessidade imensa de ter um corpo que ocupe toda a sua potência, mas ele está a anos-luz disso.
Preciso exercitar meu corpo para que ele aconteça em sintonia com meu processamento mental.
E preciso exercitar minha mente para que ela harmonize com o tempo mais lento (orgânico?) que meu corpo pede.
Preciso me construir una. Preciso acabar com o Descartes que carrego. Corpo e mente precisam ser um todo orgânico que funcione mais ou menos harmoniosamente (claro que com os destemperos que temperam a vida). Aí acho que essa potência que tanto busco viver, ganhará mais um tracinho na escala de energia.
Ou seja, para conseguir concretizar ao menos alguma parte do que minha mente me joga, preciso ir pra academia!

Por que causa e afeto a distância faz com que cada pequeno centímetro da experiência tenha vontade própria de sair caminhando até os ouvidos e olhos dos nossos mais caros?
No dia vinte e quatro de agosto de dois mil de dez, no caminho que tem sido o de todos os dias, vi um avestruz....
E....
Bastou.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

a cidade e o corpo


Levando em conta que as generalizações não são verdadeiras nem mentirosas, só incompletas (me apropriando de uma fala de Chimamanda Adichie
http://www.youtube.com/watch?v=O6mbjTEsD58), tive uma experiência muito impressionante sobre como o corpo pode ou não ser um organismo que cumpre a sua função de mobilidade e força.
E como a cidade pode contribuir para a configuração desse corpo que serve para a sua própria existência, exercendo toda a sua potência de organismo vivo, ou como ele pode ser a mistura disforme de ossos e carne que carrega seu cérebro para o escritório.
E então Descartes surge potente como nunca: mente que vai, corpo que fica.
Com a vontade de conhecer mais o novo habitat, propus a um amigo também paulista que nos aventurássemos em uma trilha que li ser a mais bonita da ilha.
Estava dado que a dificuldade era grande, mas aqui entra uma discussão sobre a importância de se conhecer os conceitos das coisas antes de se jogar numa dessas.
As trilhas consideradas mais difíceis pelo programa de trilhas do governo de São Paulo não chegam ao pé do morro desta que fizemos!
A paisagem sem dúvida é deslumbrante, principalmente se você chega com forças para vê-la!
De fato fiquei muito impressionada com a fraqueza de meu corpo e de como uma cidade se coloca ao corpo das pessoas.
Uma cidade como Florianópolis pede por um corpo ágil, ligado, em prontidão.
São Paulo pede um corpo também resistente; resistente há muito trânsito, muitas horas de trabalho e muita lotação no transporte coletivo. Ambas pedem um corpo resistente, isso é fato!

A Academia

É muito curioso como os homens criaram jogos e mais jogos para se entreterem enquanto o inexplicável do tempo passa. Jogos muito complexos, cheios de regras, truques, pontuações, casas a pular, rodadas a parar. É mesmo muito difícil lidar com a passagem dos dias vazios, com a besta inutilidade de levantarmos todos os dias e irmos deitar ao fim deles.
E não é que os jogos são muito bons de jogar! Divertidíssimos! É só não esquecer que são só jogos e que a vida é a vida.

domingo, 22 de agosto de 2010

Viver perto do mar está me dando a exata dimensão do meu tamanho e da minha potência.

caminho ao mar

Tenho saído para caminhar todos os dias; cada dia procurando um caminho diferente.
Mas não sei o que me acontece: todos os caminhos que passo me levam ao mar. Mesmo quando ele não está a caminho.